O Dia em que o Mundo Prendeu a Respiração
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O Dia em que o Mundo Prendeu a Respiração

EUA e Israel lançaram a Operação Epic Fury contra o Irã, matando o Aiatolá Khamenei e a cúpula militar iraniana. O Irã retaliou com mísseis contra Israel e bases americanas em seis países. O Oriente Médio entrou em guerra aberta. Estamos apenas no primeiro dia.

M. Casamata
M. Casamata
5 min de leitura

Aconteceu.

Durante semanas, escrevi aqui sobre porta-aviões se deslocando, F-22 pousando em bases no deserto, generais briefando o presidente, diplomatas fingindo que negociavam em Genebra. Escrevi que Trump jogava xadrez com granadas. Escrevi que aquilo tudo tinha cheiro de pólvora. Pois agora a pólvora estourou.

Na manhã deste sábado, os Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar conjunta contra o Irã. Os americanos a chamaram de "Epic Fury" — Fúria Épica. Os israelenses, de "Roaring Lion" — Leão Rugindo. Nomes de filme de ação. Só que não é filme. Mísseis atingiram Teerã, Isfahan, Tabriz, Shiraz, Kermanshah e mais de uma dúzia de cidades iranianas. Fumaça subiu do centro da capital. Explosões sacudiram bairros residenciais. E o alvo principal — aquele que Trump vinha mirando há meses — foi atingido: o Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989, está morto.

Trump anunciou a morte no Truth Social, como quem publica uma foto de churrasco. Horas depois, a televisão estatal iraniana confirmou. Quarenta dias de luto. O corpo foi localizado nos escombros do seu próprio complexo em Teerã, destruído por um ataque aéreo israelense.

Khamenei não foi o único. O ministro da Defesa, o comandante da Guarda Revolucionária, o secretário do Conselho de Segurança Nacional, o chefe da inteligência militar — todos mortos. Israel divulgou uma lista de sete altos oficiais eliminados. Trump disse à NBC que "a maior parte da liderança" iraniana "se foi". E completou, com aquela sutileza que lhe é peculiar: "Num certo momento, eles vão me ligar para perguntar quem eu gostaria que assumisse."

Pause um instante e releia essa frase. O presidente dos Estados Unidos, após bombardear um país soberano, diz que espera receber um telefonema para indicar o próximo líder. Júlio César, pelo menos, tinha a elegância de conquistar os territórios pessoalmente.

Mas o Irã não é a Gália. E não se rendeu.

Horas depois dos primeiros ataques, a Guarda Revolucionária iraniana respondeu. Mísseis e drones foram lançados contra Israel, contra bases americanas no Catar, no Kuwait, no Bahrein, nos Emirados Árabes, na Jordânia e na Arábia Saudita. Sirenes de ataque aéreo soaram em Tel Aviv e Haifa. Um prédio de nove andares foi atingido no norte de Israel. O hotel Fairmont, na Palm de Dubai — aquele cartão-postal dos Emirados — pegou fogo. Drones voaram na direção do Burj Khalifa, que precisou ser evacuado. O aeroporto de Abu Dhabi reportou um morto. O de Kuwait sofreu danos. Explosões foram ouvidas em Riad, a capital saudita.

O Oriente Médio, aquele barril de pólvora de que eu tanto falei, explodiu. E os fósforos estão espalhados por toda parte.

E há algo que precisa ser dito, mesmo que doa: um ataque israelense atingiu uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do Irã. Pelo menos 64 meninas mortas. 92 feridas. Crianças. A mídia estatal iraniana fala em mais de 100 mortas, contando outra escola atingida perto de Teerã. Os americanos ainda não comentaram. Talvez não haja comentário possível.

Trump, num vídeo de oito minutos postado no Truth Social, disse que a operação continuará "durante toda a semana, ou pelo tempo que for necessário". Prometeu "bombardeios pesados e cirúrgicos". Pediu ao povo iraniano que "tome o controle do seu destino" e derrube o governo. É uma convocação à revolução, feita por quem acabou de jogar bombas sobre escolas.

Há 73 anos, a CIA derrubou o primeiro-ministro iraniano democraticamente eleito, Mohammad Mosaddegh, num golpe silencioso. Desta vez, como observou um correspondente da Al Jazeera, "estão fazendo a mesma coisa, mas com armas e bombas em vez de agentes secretos".

E agora? Essa é a pergunta que vale trilhões — literalmente, porque o petróleo já disparou e o ouro não para de subir.

O Irã está sem cabeça. Khamenei era o líder supremo, a autoridade final sobre tudo: governo, exército, judiciário, política nuclear. Não há um sucessor conhecido. O ministro das Relações Exteriores, Araghchi — aquele mesmo que negociava em Genebra na quinta-feira — disse à NBC, antes da confirmação, que Khamenei e o presidente estavam vivos "até onde eu sei". Estava errado. A Guarda Revolucionária prometeu que "a operação continuará implacavelmente até que o inimigo seja decisivamente derrotado". Todos os ativos americanos na região, disseram, são "alvos legítimos".

A Turquia, membro da OTAN, alertou que o mundo está à beira de "um anel de fogo". A Rússia pediu uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU. A China, como sempre, observa. A União Europeia emitiu uma nota pedindo "contenção" — a palavra mais inútil do vocabulário diplomático quando já estão caindo bombas.

E em Los Angeles, na região conhecida como "Tehrangeles" — lar da maior comunidade iraniana fora do Irã — houve festa nas ruas. Bandeiras iranianas, americanas e israelenses. Gritos de "Liberdade para o Irã" e "Chega de Aiatolá". Para milhões de iranianos no exílio, que fugiram do regime teocrático desde 1979, este é um momento de esperança. Para milhões de iranianos dentro do Irã, sob os escombros, é um momento de terror.

Essa é a obscenidade da guerra: ela é, ao mesmo tempo, a libertação de uns e a destruição de outros. Nunca há consenso. Nunca há limpeza. O que há é sangue, entulho e a promessa — sempre a promessa — de que o amanhã será melhor. Bush prometeu o mesmo ao Iraque. Olhe o Iraque hoje.

Na semana passada, eu escrevi uma crônica chamada "Facilmente Vencida", sobre a arrogância de Trump ao dizer que uma guerra com o Irã seria fácil. Hoje, enquanto mísseis cruzam o Golfo Pérsico em ambas as direções, enquanto drones explodem em Dubai e crianças morrem em Minab, enquanto o Oriente Médio inteiro chacoalha, essa frase ecoa como a mais perigosa da língua inglesa.

Facilmente vencida.

Estamos apenas no primeiro dia.

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M. Casamata
M. Casamata

M. Casamata escreve do lugar de onde se vê melhor: de dentro. Cronista, observador de guerras que não lutou e de políticos que não elegeu. Acredita que o mundo caminha para algum lugar — só não tem certeza de qual. Publica no Bunker 26 desde 2026.

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